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Este blog tem como objetivo ampliar e qualificar o debate da questão racial e a luta em busca da igualdade social.




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

AOS NEGROS, O QUE É DOS NEGROS




Aos Negros, o Que é dos Negros


Difícil de entender porque tanto espanto diante da  sábia idéia de apresentar no dia 2 de fevereiro, festa de Yemanjá, que tem em uns dos seus pilares o sincretismo e a presença marcante dos rituais e da participação dos povos de religiões de matriz africana, a imagem, de direito nesta cidade afro, Yemanjá negra. Nada contra os santos e santas brancos, mas é importante nos conscientizemos do projeto de desmistificação dos padrões criados pela elite branca racista, que modelaram os santos, à sua imagem e tudo faz para manter o domínio e o controle há centenas de anos.

Desejo sim, santos negros, artistas negros, cientistas negros, um mundo onde o negro ocupe seu lugar de destaque, sem pedir favores e sim pela sua capacidade e vontade de crescer, não podemos mais aceitar que uma pequena minoria que herdou dos seus antecessores, ajudados pelo estado, títulos, terras e ajuda financeira, continue ditando as normas nesta terra negra , inteligente e corajosa. Não queremos excluir ninguém do processo e sim, conviver com a diversidade seja na cor da pele, na religiosidade e preferências, queremos uma cidade onde o sentimento maior seja a igualdade, a irmandade e, que todos tenham, oportunidades iguais, crescendo pela sua capacidade.

Salvador, cidade negra, bela e religiosa, filha da mãe África, deve cultuar divindades negras, que é a nossa cor.

Em 1500 quando os portugueses dominadores aqui chegaram, vieram com o propósito de destruir, e quase conseguiram, a fé e a religiosidade dos povos indígenas, verdadeiros herdeiros do Brasil e impuseram com ajuda da Igreja, seus santos brancos, tentando, de todas as maneiras, acabar com as crenças indígenas. Logo em seguida, com o mercado infame da escravidão,  o mesmo processo de destruição da fé, da crença e da religiosidade africana continuou. Todos sabemos que um povo sem religião é mais fácil de ser dominado. Não contavam eles com a nossa fé e coragem, herdada dos nossos ancestrais de sabedoria milenar, que essa missão não seria fácil. Sempre resistindo, novos líderes assumiam o combate como Zumbi, Luiz Gama, Luiza Mahin, Escrava Anastácia, José do Patrocínio e muitos outros, que vivem até hoje entre nós, nas trincheiras avançadas desse combate eterno. Estamos vencendo, porque a resistência, a sabedoria e a tenacidade do nosso povo negro é difícil de ser quebrada e para cada guerreiro que tomba, surgem cem outros para ocupar o espaço deixado e aumenta o exercito da libertação, fortalecido pela nossa fé e religiosidade sempre crescentes.

Neste momento, cabe a todos nós, militantes do movimento negro, lutar pela confirmação dos nossos espaços nesta cidade negra, queremos sim, ver o negro no poder, resumindo: Ao Negro, o que é do negro.

Peu da CUT

Diretor de Combate ao racismo da Cut – Ba

Diretor do Sindicato dos químicos e Petroleiros

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