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Este blog tem como objetivo ampliar e qualificar o debate da questão racial e a luta em busca da igualdade social.




segunda-feira, 26 de abril de 2010

Peu da Cut - Novos desafios




Por que Peu da CUT? A entidade se incorporou ao seu nome?


Por conta de minha efetiva participação nos debates e eventos onde é necessária a presença da CUT, com a maneira baiana de simplificar as coisas, o nome da organização acabou incorporado ao meu nome. Pra mim é um motivo de muito orgulho.

Que caminhos você trilhou para conduzir a questão racial e gênero nas entidades onde atua?

Foi um processo natural. Pensando bem, uma vitória do movimento negro. O movimento sindical nunca abordou a questão racial como prioridade. Foi em decorrência de muita luta que conseguimos, ainda que lentamente, pautar a luta pela igualdade racial e de gênero no mundo do trabalho. O mais o importante é que não podemos esmorecer. É mais que necessário manter esta chama acesa. Nossa luta é para conscientizar os trabalhadores negros e negras que são as principais vítimas da discriminação racial e de gênero nos seus locais de trabalhos. É isso que provoca a diferencia salarial, dificuldades de acesso aos postos de trabalho e ascensão profissional, entre outros prejuízos. Acredito que a escolha do meu nome pelos companheiros, foi o reconhecimento da minha dedicação pelos temas e de ser um soldado conhecedor desta bandeira.

Qual é a sua expectativa nessa tarefa?

Os desafios são muitos e é preciso despertar nos trabalhadores a importância do combate à discriminação racial e de gênero. Claro que as questões salariais são de fundamental importância, mas as nossas grandes perdas começam com as discriminações de gênero e raça, quase sempre não associadas às perdas salariais. Desse modo, essas causas não são abraçadas com a seriedade que deveriam. A luta por melhores salários, condições de trabalhos, valorização profissional e acesso ao mercado de trabalho acaba enfraquecida.

A seu ver, como está a questão racial hoje na Bahia?

Assim como em todo o país, estamos conquistando espaço e avançando nos nossos direitos. Precisamos agradecer ao governo socialista do companheiro Lula, que muito tem contribuído para este avanço. É preciso também citar pontos importantes de avanços, como a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com status de ministério, a criação da Secretaria Gênero e de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Estatuto da Igualdade Racial e muitos outros.

Como você avalia as críticas ao estatuto da igualdade racial?

É natural, devido à importância do mesmo. Não seria possível agradar a todos. Existem companheiros do movimento  que acham que com uma simples canetada tudo se resolve. A realidade, entretanto, é diferente. Sabemos que os segmentos reacionários e escravagistas atuam dentro do governo. Eles são fortes e bem estruturados. Não podemos esquecer que esta luta atravessa séculos. É um jogo de paciência, um verdadeiro jogo de xadrez. Há um sábio ditado que diz: cedemos os anéis para não perdermos os dedos. Peço a todos que leiam a proposta do estatuto e vejam que quase todas bandeiras de luta do movimento negro foram contempladas. Em algumas, por estratégia do jogo, demos um passo atrás, para seguirmos em frente. Seguimos assim, conquistando espaço e ficando bandeiras. Devemos lutar juntos para que as conquistas sejam realmente implantadas e ampliar nossos leque de ação para novas conquistas.

Como ficam as cotas raciais?

A meu ver, são mais do que justas. Devemos discutir as cotas como compensação pelas retiradas dos nossos direitos no passado. Para entender a necessidade das cotas, precisamos retroceder ao século XVIII. Nesse período, como incentivo para a colonização, foram oferecidos aos brancos europeus os títulos, subsídios, terra e todos os tipos de vantagens. Tornaram-se os proprietários do Brasil. Aos negros, que foram raptados na África, restou a escravidão em solo brasileiro. Houve muito derramamento de sangue e perda de vidas para construir as riquezas deste país. Esse povo teve seus direitos negados, enquanto ser humano e cidadãos. Suas crenças religiosas e cultura foram destruídas, as famílias separadas. Foram reduzidos a mera mercadorias. Várias leis foram criadas para beneficiar os senhores de engenhos. Livravam os mesmos das responsabilidades com o escravo idoso e com o escravo recém nascido. Ganhavam dinheiro do governo com transações mentirosas como a lei Áurea, que abandonou os negros analfabetos e doentes à sua própria sorte, sem nenhuma estrutura do governo ou preocupação com seu destino ou futuro. Nós somos os descendentes deste povo esquecido e abandonado pelo poder público brasileiro. É mais do que justo que as cotas existam como uma compensação do que foi nos negado: educação, direitos sociais, ascensão profissional e dignidade. É uma obrigação do estado. O mínimo que ele pode fazer para pagar a injustiça cometida no passado e mantida até hoje.

Deixe uma mensagem aos leitores.

Nós, brasileiros, precisamos incorporar a luta pela igualdade racial e de gênero em nosso ideal de vida. Mais do que nunca, precisamos de pessoas engajadas nessa causa e nesse debate, que lutem por esta bandeira. Vamos deixar de lado a hipocrisia, de nos comovermos apenas quando algo aparece na mídia. Precisamos lutar contra o racismo que existe em cada um de nós. É importante termos a consciência que batalhas estão sendo vencidas, que muito ainda falta a ser feito, mas as dificuldades nunca tiraram nossa fé e coragem de seguirmos em frente rumo à vitória final. Temos a obrigação de fazer a nossa parte. Uma delas é a de escolher parlamentares certos e comprometidos com a questão racial e de gênero, para que possamos sacramentar políticas afirmativas que venham consolidar nossos direitos.

A luta continua e contamos com você!



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