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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Frente Negra Brasileira - Reflexaõ do momento

Aristides Barbosa: jornalista, educador e pioneiro da Frente Negra Brasileira



(26/03/2007 - 10:43)

Brasília, 26/3/07 - Nascido em 25 de março de 1920, o jornalista e educador Aristides Barbosa foi um dos nomes que representaram a construção de uma marcante ação política dos pensadores negros do século passado. Aristides Barbosa, assim como José Correia Leite e Francisco Lucrécio foram alguns nomes que compuseram um movimento de mobilidade política e cultural: a Frente Negra Brasileira.


Como nasceu este movimento?


O povo negro tinha dificuldade em se organizar coletivamente, vale lembrar que a I República fomentou um clima desfavorável à sua atividade política. Sem espaço na política institucional e nos sindicatos, os negros, especialmente os paulistas passaram a desenvolver formas de atuação amparadas numa imprensa própria, surgida nas primeiras décadas do século XX: os jornais O Menelik (1915), A Rua (1916), O Alfinete (1918), A Liberdade (1919), A Sentinela (1920), O Getulino e o Clarim d? Alvorada (fundado, também em 1924, por José Correia Leite e Jaime de Aguiar) serviam como instrumento para promover a organização e conscientização dos "homens de cor". Só mais tarde é que o termo negro passara a ser aceito.


Essas iniciativas confluíram para a articulação de um grande movimento de massas: a Frente Negra Brasileira. O negro começava a construir seu próprio espaço de atuação com o objetivo de influir no jogo político. Fundada em 16 de setembro de 1931, a Frente Negra Brasileira expressava as inquietações e ansiedades do negro que, nesses anos, manifestava-se com vigor contra o preconceito racial e por sua elevação à cidadania. Essa organização buscava congregar todos os grupos existentes no meio negro e estimulá-los a enfrentarem os tabus e preconceitos, se organizando coletivamente para defender seus interesses específicos.


Em seu horizonte estava a justiça social e a sua inserção na sociedade capitalista. Uma das formas pensadas para superar a situação de inferioridade social em que o negro se encontrava era a educação. Tratava-se de prepará-lo para integrar a sociedade de classes, para torná-lo competitivo e levá-lo a superar a miséria e o preconceito.


Com esses objetivos, a Frente Negra se registraria como partido político. O golpe de 1937 a colocou na ilegalidade. Reprimida pelo governo de Getúlio Vargas e envolta num debate interno em torno das simpatias à ideologia nazi-fascista, a organização se desintegraria. Seus militantes ainda tentariam a sua reorganização com a fundação da União Negra Brasileira, sob a presidência do Dr. Raul Joviano do Amaral. Com a democratização do país, a partir de 1945, ocorreriam outras tentativas de rearticular a Frente Negra.


Pioneirismo após a abolição


Embora presa à ideologia nacionalista de integração e assimilação, o que a levava a descartar a mobilização pela defesa das formas culturais africanas, a Frente teve um importante papel na ação política dos negros. Organizada como sociedade civil, externamente aos sindicatos e aos partidos (ainda que, posteriormente, postulasse a sua transformação em organização política-partidária), a Frente Negra foi o primeiro movimento de massas no período pós-abolicionista que tentou inserir o negro na política



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